Quero fazer um seguro de vida: como faço?

Fazer um seguro de vida é mais simples do que parece: começamos por perceber para que precisa do seguro, definimos o capital e a duração, escolhemos as coberturas, responde a um questionário de saúde e, com as propostas na mão, decide. Neste artigo explico-lhe cada passo, tal como o faço com os meus clientes, para que saiba o que esperar do início ao fim.

Passo 1: perceber para que serve o seu seguro

Antes de falar em preços, faço-lhe sempre a mesma pergunta: o que quer proteger? A resposta muda tudo o resto.

  • Proteger a família: garantir que, se lhe acontecer alguma coisa, o seu cônjuge e os seus filhos têm dinheiro para manter a casa, as despesas do dia a dia e os estudos.
  • Crédito à habitação: garantir que a dívida ao banco fica paga e que a família não perde a casa. Este é o motivo mais comum e tem regras próprias, que explico noutro artigo.
  • Outras dívidas ou compromissos: um crédito pessoal, um sócio num negócio, um familiar que depende de si.

Muitas vezes a resposta é “um pouco de tudo”. Nesse caso, pode fazer sentido ter um seguro para o crédito e outro, independente, para a família.

Passo 2: definir o capital e a duração

O capital é o valor que a seguradora paga se o risco coberto acontecer. Para o crédito à habitação, costuma acompanhar o valor em dívida. Para proteger a família, calculamos juntos um valor que faça sentido: dívidas, alguns anos do seu rendimento, despesas previstas com os filhos, menos as poupanças que já tem.

A duração deve acompanhar a necessidade. Se o crédito termina daqui a 30 anos, ou se os seus filhos serão independentes daqui a 20, é esse o horizonte. Não vale a pena pagar proteção para além do que precisa, nem ficar sem ela quando ainda faz falta.

Passo 3: escolher as coberturas

Um seguro de vida de proteção (também chamado “seguro de vida risco”) tem, no essencial, estas coberturas:

  • Morte: a cobertura base. Paga o capital aos beneficiários se a pessoa segura falecer durante o contrato.
  • Invalidez: paga o capital se ficar com uma invalidez grave e permanente. As duas modalidades mais comuns são a IAD (Invalidez Absoluta e Definitiva) e a ITP (Invalidez Total e Permanente). A ITP costuma ser mais abrangente, e por isso mais cara.
  • Coberturas complementares: algumas apólices oferecem outras opções, como capital duplicado em caso de morte por acidente. Vale a pena perceber se precisa delas antes de as acrescentar.

As definições exatas de invalidez variam entre apólices. É um dos pontos que mais comparo por si, porque é aí que estão as maiores diferenças.

Passo 4: questionário de saúde e eventuais exames

A seguradora precisa de conhecer o risco que vai assumir. Por isso, vai pedir-lhe que preencha um questionário de saúde e hábitos de vida (tabaco, profissão, desportos, doenças, tratamentos).

Aqui peço-lhe uma coisa só: responda com total verdade e rigor. A lei obriga a declarar com exatidão tudo o que seja relevante para a avaliação do risco. Uma omissão ou uma resposta inexata pode, no limite, levar a seguradora a recusar o pagamento quando a sua família mais precisa. Se tiver dúvidas sobre como responder a uma pergunta, pergunte-me antes de assinar.

Consoante a idade, o capital e as respostas, a seguradora pode pedir exames médicos ou relatórios do seu médico. Na maioria dos casos esses exames são pagos pela seguradora. O resultado pode ser a aceitação normal, a aceitação com um agravamento de prémio, a exclusão de uma doença específica ou, mais raramente, a recusa.

Há também uma proteção legal a conhecer: o chamado “direito ao esquecimento”, que impede que certas doenças já ultrapassadas sejam tidas em conta nos seguros associados a créditos, dentro de prazos definidos na lei.

Passo 5: comparar propostas

Como Agente de Seguros independente, peço propostas a várias seguradoras e apresento-lhas lado a lado. Não olhamos só para o preço:

  • o que cada apólice entende por invalidez e com que grau de incapacidade paga;
  • as exclusões (o que não está coberto);
  • se o prémio é fixo ou aumenta com a idade;
  • a idade máxima até à qual o seguro se mantém;
  • as condições de aceitação que resultaram do questionário.

Passo 6: designar os beneficiários

Os beneficiários são as pessoas que recebem o capital. Pode indicar nomes concretos, como o seu cônjuge ou os seus filhos, ou optar por uma designação genérica, como “herdeiros legais”. No crédito à habitação, o banco é o primeiro beneficiário até ao valor em dívida. Esta escolha merece atenção e deve ser revista quando a vida muda.

Passo 7: emissão da apólice e acompanhamento

Depois de aceite, a seguradora emite a apólice. Leia as condições com calma: no seguro de vida individual, tem em regra 30 dias a contar da receção da apólice para desistir sem ter de apresentar motivo (a chamada “livre resolução”).

Depois da emissão, o meu trabalho continua. Reviso o seguro consigo quando há mudanças importantes, como casamento, filhos, divórcio, um novo crédito ou mudança de profissão, e ajudo a sua família se um dia for preciso acionar a apólice.

Perguntas frequentes sobre como fazer um seguro de vida

Tenho de fazer exames médicos para ter um seguro de vida?

Nem sempre. Depende da idade, do capital e das respostas ao questionário de saúde. Para capitais mais baixos e pessoas mais jovens, muitas vezes basta o questionário.

Quanto tempo demora a fazer um seguro de vida?

Quando não são pedidos exames, pode ficar resolvido em poucos dias. Se a seguradora pedir exames ou relatórios médicos, o processo costuma demorar mais algumas semanas.

Posso fazer o seguro de vida do crédito fora do banco?

Sim. Tem o direito de escolher a seguradora, desde que a apólice cumpra os requisitos exigidos pelo banco. Explico isto em detalhe no artigo sobre o seguro de vida do crédito à habitação.

Quer começar?

Se quiser, analiso a sua situação sem compromisso e trato de todo o processo consigo: peça aqui a sua análise de seguro de vida ou fale comigo diretamente.

Fontes

Informação de carácter geral. Não dispensa a leitura das condições da sua apólice nem o aconselhamento personalizado.

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