Fazer um seguro para a sua casa comigo é um processo simples: reunimos os dados do imóvel, calculamos o valor de reconstrução e o valor de substituição do recheio, definimos o uso da casa e as coberturas certas, e só depois peço cotações. Em moradias e segundas habitações vale a pena fazer isto com calma, porque um capital mal calculado ou um uso mal declarado pode pesar muito no dia de um sinistro.
Explico-lhe abaixo, passo a passo, como trabalho: seja a sua casa no Algarve, no Alentejo ou em qualquer ponto do país, e esteja você a viver cá ou no estrangeiro.
Passo 1: os dados do imóvel
O primeiro passo é conhecer bem a casa. Uma moradia com piscina, anexos e muros de pedra não se segura como um apartamento. Normalmente peço-lhe:
- Localização exata (morada e, se possível, coordenadas): a proximidade do mar, de linhas de água ou de zonas florestais influencia o risco.
- Área de construção da casa principal e de cada anexo (garagem, casa de hóspedes, arrumos).
- Ano de construção e obras de remodelação relevantes (cobertura, canalização, instalação elétrica).
- Tipo de construção e acabamentos: estrutura, cobertura, caixilharia, pavimentos, cozinhas e casas de banho.
- Exteriores: piscina, muros, portões, jardim, sistemas de rega, painéis solares.
- Segurança: alarme, portas de segurança, grades, videovigilância.
Documentos que ajudam: caderneta predial, plantas, fotografias recentes e, em regra, o seu NIF português. Se vive fora, tratamos tudo à distância, por email ou videochamada.
Passo 2: o valor de reconstrução do edifício
O edifício segura-se pelo valor de reconstrução, não pelo valor de mercado. A pergunta certa é: quanto custaria voltar a construir esta casa, com a mesma área e qualidade, se ela ficasse destruída? O terreno não arde nem desaparece, por isso não entra nesta conta.
No cálculo incluo a casa principal, os anexos, a piscina, os muros e outros elementos fixos, e tenho em conta custos que muitas vezes se esquecem: demolição, remoção de escombros, projeto e licenças. Se o capital ficar abaixo do valor real, pode haver subseguro e a indemnização ser reduzida proporcionalmente: explico isto em detalhe noutro artigo.
Passo 3: o recheio e os objetos de valor
O recheio (móveis, eletrodomésticos, roupa, equipamentos) segura-se pelo valor de substituição em novo: quanto custaria comprar hoje bens equivalentes. Uma forma prática é percorrer a casa divisão a divisão e fazer uma lista.
Joias, relógios, obras de arte, coleções ou tapetes de valor merecem atenção especial. Na maioria das apólices têm limites próprios e, acima de certos valores, precisam de ser declarados individualmente, às vezes com avaliação ou fatura.
Passo 4: o uso da casa
O uso muda o risco e, por isso, tem de ser declarado com rigor:
- Habitação própria permanente: vive na casa a maior parte do ano.
- Casa de férias ou segunda habitação: fica fechada parte do ano, o que costuma ter regras próprias.
- Arrendamento de longa duração: o recheio e a responsabilidade civil são diferentes.
- Alojamento local: tem um seguro de responsabilidade civil obrigatório por lei e exige uma apólice adequada à atividade.
Se o uso mudar durante o contrato (por exemplo, começa a arrendar a casa), deve comunicá-lo à seguradora. Eu ajudo-o a fazer essa comunicação.
Passo 5: as coberturas certas
Um seguro multirriscos de casa junta várias coberturas num só contrato. As mais comuns são incêndio, danos por água, fenómenos da natureza (tempestades, inundações), furto ou roubo, quebra de vidros, danos elétricos e responsabilidade civil. Há ainda coberturas facultativas que, numa moradia, vale a pena ponderar:
- Fenómenos sísmicos: normalmente não estão incluídos por defeito.
- Equipamentos de piscina, jardim e painéis solares.
- Perda de rendas ou despesas de alojamento alternativo se a casa ficar inabitável.
- Assistência ao lar (canalizador, eletricista, serralheiro em caso de urgência).
Olho também para as franquias (a parte do prejuízo que fica a seu cargo) e para os limites de cada cobertura. Um prémio mais baixo com franquias altas nem sempre compensa.
Passo 6: visita, cotação e emissão da apólice
Em imóveis de valor mais elevado ou com características especiais, pode justificar-se uma visita ao imóvel: minha ou de um perito da seguradora. Dependendo da disponibilidade, posso fazê-la pessoalmente. Serve para confirmar áreas, acabamentos e medidas de segurança, e evita surpresas mais tarde.
Com os dados fechados, peço propostas e apresento-lhe uma comparação clara: coberturas, limites, franquias e prémio. Antes de subscrever, recebe a informação pré-contratual e as condições da apólice. Depois de escolher, trato da emissão, confirmo que os dados estão corretos e fico como o seu contacto para alterações e sinistros.
Perguntas frequentes sobre o seguro para a sua casa
Quanto tempo demora a fazer um seguro de casa?
Depois de escolher a modalidade que pretende, a apólice pode ser contratada e emitida em minutos. Para casos mais complexos poderá ficar tratado em poucos dias. Em moradias de maior valor, com visita ou avaliação de objetos, pode demorar um pouco mais.
Posso fazer o seguro se vivo fora de Portugal?
Sim. Trabalho com muitos proprietários que vivem no estrangeiro. Tratamos tudo por email e videochamada e, se necessário, a visita ao imóvel faz-se na sua ausência.
O banco exige o seguro pelo valor do empréstimo. Está certo?
O capital do edifício deve refletir o valor de reconstrução. Se houver uma exigência do banco diferente, vale a pena analisar o contrato de crédito em conjunto antes de subscrever.
Se quiser, analiso a sua casa e o seguro atual sem compromisso: peça aqui a sua análise ou fale comigo diretamente.
Fontes
- ASF, Portal do Consumidor: Seguro de habitação
- Regime Jurídico do Contrato de Seguro (Decreto-Lei n.º 72/2008): Diário da República
- Decreto-Lei n.º 76/2024 (alojamento local): Diário da República
Informação de carácter geral. Não dispensa a leitura das condições da sua apólice nem o aconselhamento personalizado.
